segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pasta e legado


Frase brilhante que ouvi de um gerente de RH: “O legado que um gestor deve deixar para sua empresa são os processos”. Brilhante porque encerra um conceito gerencial de primeira linha e um valor: o conceito gerencial da continuidade e o valor de deixar todos os locais por onde passamos melhores do que os encontramos. A maioria dos gestores não realiza uma obra e quando parte deixa, no máximo, algumas saudades. O nome da obra que todo gestor deve legar para seu substituto e para sua empresa chama-se processos. O processo deve ser entendido como o trabalho organizado, dividido em etapas e em sequência lógica, com indicadores de desempenho acompanhados, como metas atingidas, com o menor custo possível e com pessoas absolutamente treinadas e motivadas. Quando inicio meus treinamentos, normalmente projeto, como primeiro slide, o que deve estar contido NA PASTA. Que PASTA? Uso a PASTA para explicar de forma bem simples o que espero encontrar com qualquer gestor. Imaginem uma PASTA de couro com os seguintes documentos:

1. Mapas de todos os processos gerenciados por este gestor.

2. Indicadores de desempenho, colocados em tabelas e em gráficos, com a situação atual e a meta, abertos mês a mês.

3. Descrição dos cargos daquela área.

4. Descrição dos perfis necessários para estes cargos.

5. Relação de todos os profissionais que trabalham na área e os cargos que ocupam.

6. Avaliação de desempenho de cada profissional, com os respectivos planos de desenvolvimento individual para completa aderência aos perfis.

7. Plano de treinamento de cada profissional.

8. Todos os manuais de treinamento.

9. Todas as instruções de trabalho.

10. Todas as especificações técnicas de produtos, de materiais e de serviços que a área gera ou utiliza.

11. Todo o acervo técnico com o qual a área trabalha (manuais técnicos, desenhos, livros etc.).

12. Legislação pertinente aos processos gerenciados.

13. Todos os registros gerados pela área.

14. Todos os relatórios e números com os quais a área trabalha.

15. Pontos de controle.

16. Listas de controle de documentos.

17. Checklists para auditoria nos próprios processos.

18. Relatórios de falhas (ou relatórios de não conformidades).

19. Diretrizes recebidas do planejamento estratégico.

20. Planos de ação de melhorias (projetos), com cronogramas físicos e financeiros.

21. Agenda, pautas e atas das reuniões gerenciais com a equipe e com superiores.

22. Controle do orçamento de custeio, com o plano de contas da área.

23. Controle do orçamento de investimentos.

24. Tratamento das falhas identificadas em auditorias.

Se você considera esta PASTA uma utopia, eu considero UMA VERGONHA um gestor não tê-la e nem ter a noção de que precisa tê-la. Para construí-la o investimento é muito baixo. O gestor precisa ter quase que apenas vontade de estudar e organizar seus processos. Alguns podem pensar que tal PASTA é frescura, papelada desnecessária ou outra infâmia qualquer. Estão redondamente enganados. São amadores os que assim pensam. Profissionais de verdade são organizados e têm a PASTA como base para planejar, para executar, para checar, para auditar, para resolver problemas e para fazer melhorias consistentes. Sem a PASTA, o pensamento é caótico, as ações são dispersas e o nível de gerenciamento é medíocre. Com a PASTA os bons resultados são muito mais prováveis do que sem ela. Quando o gestor partir, nos seus últimos dias, ele deveria treinar o seu substituto em tudo o que está na PASTA. Ela aprisiona o conhecimento existente na empresa sobre os processos. Ela é a OBRA e o LEGADO de um gestor profissional. O resto é amadorismo barato e que destrói a rentabilidade das organizações.

Muitos gestores costumam me perguntar por onde começar. A resposta é simples: pela montagem da PASTA. Ao montá-la, o gestor precisará estudar seus processos, conhecer melhor seu trabalho e administrar de forma mais adequada seus recursos humanos. Aprenderá sobre custos, sobre investimentos, sobre finanças e sobre contabilidade. Demonstrará para sua equipe o valor da organização. Será um exemplo e deixará um rastro de excelência quando partir. Acreditem: apenas uma seleta minoria entende o que aqui escrevo.

Mubarack

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A VERDADE É DOLORIDA

Ref.: Julgamento no TJRS com base em lei revogada

Este é um dos espaços de fato vitais à minha vida agora - um momento de descontração no meio de tanta dor que o Judiciário tem me proposto desde o período de estágio no próprio Foro, auxiliando juízes e agora, após um ano de formada e auxiliando advogado.

Contudo, o que quero contar a vocês aqui é muito pessoal - até demais. Se, porém, julgarem digno de ser publicado, me sentirei honrada.

Acontece que me casarei brevemente. Dirigi-me, então, ao Cartório de Registro Civil a fim de dar entrada na habilitação ao casamento no início do mês de outubro. Lá fui informada que era proibido suprimir qualquer sobrenome - eu, que conheço o direito e a lei, não lembrei-me de nenhum óbice à retirada do meu sobrenome materno para a inclusão do sobrenome do meu futuro cônjuge - mas decidi insistir no pedido.

Como já esperado, o juiz da Vara de Registros Públicos proibiu a mudança no meu sobrenome, com base no artigo nº 1565 do Código Civil (que, aliás, só fala que pode acrescer - mas nada fala que não pode suprimir).

Pesquisei então na jurisprudência do TJRS uma solução cabível e deparei-me com diversos julgados de mandados de segurança permitindo a mudança do nome de diversas mulheres. Baseei-me ainda em julgado onde o desembargador Rui Portanova afirmava que era cabível o mandado de segurança e que era possível a supressão de sobrenome.

Inicialmente, meu mandado de segurança (proc. nº 70033049511) foi indeferido de plano pelo relator (outro desembargador), dizendo que este não era o remédio processual adequado e que era, de fato impossível suprimir sobrenomes. Para "coroar", o desembargador citou a Lei nº 1.533/51, já revogada pela Lei nº 12016/09.

Indignada com decisão tão contraditória a julgados preexistentes, recorri da decisão. Elaborei um recurso junto com meu pai (que é advogado), apontando que a lei usada como base estava revogada, referindo que já existia jurisprudência do TJRS e do STJ a favor do meu entendimento.

Para minha surpresa, na sessão de julgamento tive de ouvir ser citada a mesma lei revogada, os mesmos argumentos da decisão monocrática e, como se não bastasse, quando questionei sobre a vasta jurisprudência, ouvi um "sermão" de que não eram obrigados a decidir de acordo com ninguém e que "o direito é dinâmico", e que decisões podem mudar.

Ora, a coerência naquela câmara e a segurança jurídica foram jogadas pelo ralo.

Por fim, posso dizer que meu sonho de infância de tornar-me advogada tem esmaecido desde então. Pergunto-me o porquê de tanto estudo, cinco anos de faculdade, gastos imensos com mensalidades e livros, além de estudos intensos para passar no dificílimo Exame da OAB... se depois ficamos à mercê de desembargadores que ignoram os princípios de interpretação da lei e a jurisprudência para fazer do tribunal um palanque de opiniões pessoais.

Talvez meu destino agora seja me dedicar à vida acadêmica, pois aos 23 anos de vida notei que ser advogado é, como diz o ditado, dar soco em ponta de faca. A lei e a jurisprudência viraram acessórios e belas petições se tornaram como um velho livro de biblioteca: ninguém lê.

Desculpem por manifestar minha indignação, mas vejo este espaço como um ponto onde compartilhamos nossas lutas!

Shaiala Ribeiro de Castro Araujo (OAB/RS nº 35E045)"

(*) E-mail: shaiala.araujo@gmail.com
www.espaçovital.com.br

EMPREGADOS E DESPESAS “IMPACTO ZERO”

Liste todos os empregados e despesas de sua empresa que não impactam diretamente no seu negócio e corte pela metade. Esta orientação parte o coração de muitos empresários, embora eles próprios muitas vezes não admitam. A secretária tão simpática, o motorista de muitos anos, o porteiro tão solícito, o analista de RH tão bonzinho, a gerente de marketing tão bem articulada, o técnico de TI que virou noites trabalhando, o irmão do dono que está “encostado”, a nora que “meu filho adora”, o excesso de computadores de configuração exagerada, a recepção com telão de LCD, café com biscoitos, água e wireless para os fornecedores, o projeto de um novo logo (a agência que cuida da empresa prometeu que as vendas vão aumentar com o novo logo), o novo uniforme das recepcionistas, o carrão novo do filhote que recém está chegando na empresa, a festa de final de ano, o brinde para fornecedores que em nada colaboram com a companhia, a convenção de representantes que lembra as festas de Baco, os hotéis com estrelas demais nas viagens, os catálogos “muito bonitos”, a nova sede com muito granito, mármore e madeira, os assessores lotados de MBAs e que não contribuem com um centavo para o lucro, um showroom maravilhoso, a sessão de ginástica laboral para os empregados, empréstimos sem critério para os funcionários, o coffee break delicioso e caro nos eventos, cursos de Inglês para quem nunca vai estar exposto ao idioma, treinamentos sem qualquer necessidade, propagandas soltas e baldias na mídia etc. Tudo o que foi citado é apenas uma pequena parcela do que as empresas gastam sem qualquer retorno na última linha do demonstrativo de resultados. Haja produtividade em compras, operação e vendas para pagar esta gastança. Sugeri apenas o corte pela metade...

Outra questão polêmica: será que algum empresário, presidente, diretor ou funções similares acredita que obtém 100 % do que seus empregados podem dar? Se alguém acredita, vive no mundo de Alice (o das Maravilhas). Excelentes profissionais rendem no máximo 80 %. Se uma empresa exigir mais 10 % de cada profissional (perfeitamente possível), pode demitir 10 % do seu quadro. Acredite nisto se você é empresário ou gestor lúcido: você pode reduzir 10 % da sua folha sem impactar nada na sua empresa. Pelo contrário, ela ficará mais leve. Duvida? Você é um gerente e está com raiva deste texto? Você é um profissional de nível médio ou operacional e acha que sou um desalmado? Então espere até ver o que seu concorrente vai fazer com você. É melhor tomar um remédio amargo de vez em quando do que morrer!

Quanto maior a empresa, mais vale a regra dos 10 % que servem para nada.

Mubarack

Ainda bem que é só em Santa Catarina

Por: Edison da Silva Jardim Filho

Os advogados brasileiros viraram uns párias políticos, uns babacas, uns insossos, uns não-fedem-nem-cheiram, uns puxa-sacos, uns despersonalizados, uns baba-ovos.

Vejam este trecho da entrevista que o maior tributarista brasileiro, e um dos juristas que compõem o seleto grupo do qual poder-se-á pinçar o agraciado com o honroso epíteto de “o melhor advogado do Brasil”, Dr. Ives Gandra da Silva Martins, deu ao jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre, e que foi publicada em sua edição de 15/02/10, sobre a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Naquele momento, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, havia mantido a prisão preventiva decretada pelo Superior Tribunal de Justiça. A pergunta do repórter: “A Justiça acertou ao autorizar a prisão preventiva de Arruda?” E a resposta do eminente jurista: “Achei que não havia sentido essa prisão. Achei uma violência. Mas o ministro Marco Aurélio Mello é muito coerente. Se ele entendeu como necessária a prisão, é porque se convenceu disso.” Vocês perceberam? Uma no cravo, outra na ferradura. Primeiro, ele agradou a classe política; depois, lançou afagos na direção do ministro Marco Aurélio, e, por extensão, do STF.

Mas o que fez com que os advogados brasileiros ficassem assim “descidadanizados”? Ih, acho que acabei de cometer a invenção de uma palavra... Respondo, sem pestanejar: o chamado “quinto constitucional”! O “quinto constitucional” (às vezes, “terço”) trata-se da ocupação de 1/5 das vagas de ministros e de desembargadores, nos tribunais superiores e nas cortes de Justiça estaduais e regionais, pelos advogados. Tirante o STF, cujas vagas são de livre nomeação pelo presidente da República. No “quinto constitucional” também entram os membros dos Ministérios Públicos Federal ou Estaduais, mas neste artigo o que interessa são os advogados. O procedimento do “quinto constitucional” é o seguinte, supondo-se que a vaga aberta seja de desembargador do Tribunal de Justiça deste Estado: primeiro, é feita uma lista sêxtupla pela OAB/SC, que é encaminhada ao TJ/SC; este, dentre os seis, escolhe os nomes que formarão a lista tríplice, a qual é enviada ao governador do Estado para nomear um deles. Para obterem essas nomeações, os advogados brasileiros se transformaram em bajuladores e serviçais do poder: têm de cair nas boas graças, conforme o caso, dos presidentes do conselho federal ou das seccionais da OAB, dos ministros ou desembargadores federais ou estaduais, e dos políticos- de todos, porque eles são como penca de siri: uns puxam os outros...

Essa deve ter sido a razão que impediu que o jurista Ives Gandra se manifestasse, livremente, na entrevista: o sonho de fazer o filho, Ives Gandra da Silva Martins Filho, ministro do STF. Ives Gandra Filho, atualmente, é ministro do Tribunal Superior do Trabalho.

É a mesma razão, além dos pagamentos da “defensoria dativa” desembolsados pelo governo do Estado, que faz com que a OAB/SC não tenha se arredado, em nenhum momento, do silêncio sepulcral a que se impôs desde o início do caso do vice-governador Leonel Pavan. Lembro que a OAB/SC foi a peça-chave na abertura e processamento do impeachment do governador Paulo Afonso, motivado pelo chamado “caso dos precatórios”.

O procurador-geral de Justiça, Dr. Gercino Gerson Gomes Neto, disse que o caso do vice-governador Leonel Pavan é mais grave do que o do governador José Arruda. Pois vou circunscrevê-lo a Santa Catarina. O caso do vice-governador Leonel Pavan é muito mais grave do que o “dos precatórios”! O “caso dos precatórios” consistiu numa questão administrativa de múltiplas e intrincadas facetas...

Para mim, o caso do vice-governador Leonel Pavan só tem similar, em imoralidade, na denominada: “operação moeda verde”, que levou de roldão, quase que inteiramente, o escalão superior da primeira gestão do prefeito de Florianópolis, Dário Berger.
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O medo

O medo, na dose adequada, é bom. Faz as pessoas prepararem-se melhor porque elas temem algo ou alguém. Quem não tem medo, não tem responsabilidade e não se prepara da melhor forma possível. Uma frase atribuída a Bernardinho é muito clara: “Sabem por que eu ganho tanto? Porque tenho medo de perder e preparo minha equipe para evitar o fracasso. Medo é causa da PREPARAÇÃO, que é um dos requisitos mais importantes para a VITÓRIA.Não há qualquer tipo de vergonha em se ter medo. Entretanto, não se pode ficar paralisado diante do medo da derrota. Os vitoriosos experimentam, normalmente, a vitória, o fracasso e a preparação. Os perdedores apenas têm medo. Conte seus mais secretos e aterrorizantes medos para seus filhos e para seus subordinados mais diretos. Conte como você superou estes medos. Conte como, muitas vezes, estes medos eram descabidos e você estava perdendo tempo. Eles adorarão saber que podem superar seus próprios medos tanto quanto você. O medo pode ser didático e motivador. Um pouquinho de medo não faz mal a ninguém.Burros são valentões. Afirmam não ter medo do chefe nem da empresa. Afirmam não ter medo de perder o emprego. Muitas bravatas e pouco juízo.Você já suou frio diante da diretoria ao apresentar um projeto? Você já sentiu as pernas tremerem diante do Conselho de sua empresa? Você não dormiu no dia anterior a uma reunião muito importante? Você já sentiu um arrepio na coluna vertebral quando seu diretor ligou no final de semana? Você já estremeceu na frente de um cliente mal atendido? Parabéns, você tem o primeiro requisito para o sucesso: você tem medo de fazer mal as coisas ou de perder um negócio. Atenção: ter medo não significa ser inseguro, pelo contrário. Pessoas que são seguras e que conhecem muito bem o terreno onde estão pisando são aquelas que mais medo têm porque sabem perfeitamente os riscos que correm. Na direção oposta, estão os que não sabem nada ou são irresponsáveis ao ponto de não terem medo... O comportamento característico destas “eternas vítimas” é a displicência. Coragem, fundamentalmente, não é ausência do medo, mas é, sobretudo, O MEDO VENCIDO.Este “medo bom” do qual falo faz pessoas e gestores se prepararem incessantemente, trabalharem mais, serem mais humildes, respeitarem mais e terem mais disciplina. O medo bom traz longevidade e qualidade de vida.Frequentemente vejo profissionais em todos os níveis nas empresas cometerem gestos tão absurdos (mentir, maltratar o cliente, abusar da confiança do chefe etc.) que me dá vontade de perguntar: “você não tem medo?”. Sei que alguém pode estar argumentando que uma empresa deve construir um ambiente onde o medo esteja extinto. Pura e boba poesia! Na vida real do business o medo é essencial. Repito que não falo do medo covarde ou do medo paralisante. Falo do medo que instiga à PREPARAÇÃO, ao trabalho e ao estudo. Falo do medo que nos leva ao sacrifício. Alguns filósofos e poetas “pouca prática” se referem ao medo como um sentimento ruim. Não preste atenção neles. O medo bom nos impulsiona para a vitória.Mubarack

Gramado esat ficando distante

Os privilegios de antigamente passaram que nem nossa idade.
Aos poucos fomos perdendo nossa identidade, nossos pontos de encontros.
Com muita tristeza vejo mais um ponto de encontro dos gramadenses de conversar e saber das noticias da cidade que não são contadas nos jornais.
Tiraram o PIRANHA da praça, e junto, parte do estacionamento.
Tiraram também a ajuda dos jovens gramadenses para melhorar a sua formação.
Estou ficando preocupado. Onde posso achar os gramadenses?

O melhor

  • Dr.FernandoZugnoKulczynski

    O cirurgião-dentista Fernando Zugno Kulczynski, com apresentação da dissertação com o título “Tratamento da disfunção temporomandibular, associada ao bruxismo, com laserterapia, fisioterapia e placas oclusais miorelaxantes”, concluiu o curso de mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, pela PUCRS.

    Passara agora a dedicar-se exclusivamente ao atendimento de sua especialidade no Consultório Odontológico Kulczynski em Canela e a coordenar a unidade do mesmo consultório que será inaugurada brevemente em Porto Alegre na rua Felicíssimo de Azevedo no Bairro Auxiliadora.